Certificação pode ajudar na retomada de exportação de camarão do CE

30 criadores poderão usar o Selo de Origem na Costa Negra, no Ceará.
Estado é o maior produtor do crustáceo no Brasil.

A conquista do Selo de Origem, concedido pelo INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial tem garantido um mercado diferenciado aos produtores de várias regiões do país. A certificação pode representar a retomada das exportações para os criadores de camarão da Costa Negra, no Ceará.

Camarão grande e suculento são características do crustáceo da Costa Negra, uma faixa de 48 quilômetros de praias entre os municípios de Amontada e Jijoca de Jericoacoara, litoral oeste do Ceará. Os primeiros criadores da região perceberam que o camarão do lugar crescia muito e tinha a carne tenra. Depois de vários estudos, eles descobriram que a areia escura era rica em nutrientes que vão parar no mar e nos rios, água ideal para abastecer os viveiros de camarão.

A água do mar com os nutrientes combinados à ração especial faz os camarões da Costa Negra crescerem mais do que em qualquer outro lugar do Ceará, maior produtor do crustáceo no Brasil. A fama foi se espalhando, mas faltava o reconhecimento da qualidade do produto. Para conseguir o selo de denominação de origem os produtores tiveram que garantir o padrão no cultivo. Eles começaram a produzir as próprias larvas do camarão.

As matrizes reprodutoras vivem em tanques com a luz e a temperatura ideais para a fecundação. Depois, as fêmeas são levadas para uma sala escura onde depositam os ovinhos. As larvas passam por um controle. Aquelas que não atendem aos padrões de cor e tamanho são descartadas. As selecionadas são colocadas em tanques externos onde recebem microalgas cultivadas no lugar.

Depois de 16 dias, os camarõezinhos são levados para viveiros ao ar livre. A ração é colocada em comedouros submersos, abastecidos pelo menos quatro vezes por dia. Após três meses nestas condições, eles já estão com o peso ideal de 15 gramas.

A questão ambiental também foi importante para conseguir a certificação de origem. Os produtores tiveram que comprovar que preservam 40% da vegetação original das fazendas. O cuidado com a água também foi considerado. Antes de ser devolvida ao leito, a água passa por tanques de decantação para que a matéria orgânica fique no fundo e não vá para o rio.

Rubens Sales, um dos 30 criadores da Costa Negra que poderão usar o Selo de Origem, aguarda a etapa de criação do rótulo, que está em andamento no Ministério da Agricultura.

Até 2005, o Brasil era líder de exportações de camarão para os Estados Unidos, maior mercado consumidor do mundo. Na época, a valorização do real tirou a competitividade do produto brasileiro. Agora a expectativa é a de que a certificação do camarão da Costa Negra possa reabrir as portas do mercado internacional. A expectativa dos criadores é que o camarão já com o rótulo de procedência esteja no mercado até o fim deste ano.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/10/certificacao-pode-ajudar-na-retomada-de-exportacao-de-camarao-do-ce.html

Publicado em 09/10/2012

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